Não consigo conversar com meu filho, o que eu faço?







Criar um filho é provavelmente o trabalho mais gratificante que realizamos em nossa existência, mas também é um dos mais difíceis.
Vivemos em um mundo cada vez mais complexo que nos desafia todos os dias com uma gama de questões que podem ser difíceis para a criança compreender e para o adulto explicar.


Manter linha de comunicação aberta entre pais e filhos é extremamente importante para um bom relacionamento. Queremos que nossos filhos compartilhem seus pensamentos e sentimentos, a fim de compreender e ajudar em momentos difíceis.

As crianças não nascem sabendo como expressar seus pensamentos e sentimentos de forma apropriada, também não são automaticamente preparadas para ouvir o que os pais lhe dizem e como seguir suas orientações, e sim, devem ser ensinadas a falar e ouvir os outros.

Não importa a idade que seu filho tenha, o quanto antes iniciar uma boa comunicação, facilitará no decorrer do desenvolvimento da criança.

Para fazer com que essa comunicação flua, segue algumas sugestões:

Criar um ambiente aberto: Um lugar em que o adulto expõe suas idéias e valores de forma clara, assim como ouvir e respeitar a criança em suas opiniões.
Aceitar a criança como ela é: Quando uma criança se sente aceita pelos pais, esta se sente confiante e segura para compartilhar seus sentimentos e problemas.
Ouvir a criança: Manter uma escuta ativa e interessada faz com que a criança sinta-se importante e estimulada a falar mais.
Lembrete: Não finja que você está ouvindo quando você não está. Se você está ocupado, pergunte para seu filho se o problema pode esperar pois neste momento você não conseguirá dar atenção sufuciente para ele.


Contato visual: Tentar falar com uma pessoa que diz estar escutando é desencorajador para qualquer adulto, assim como para as crianças. O contato olho no olho é eficiente e indica para a criança que aquele momento sua atenção está voltada para ela.

Paciência e a Honestidade: Em um diálogo, é de extrema importância, a paciência e a honestidade mesmo que alguns assuntos sejam difíceis. Examinar o assunto e a faixa etária da criança é coerente.
Lembrete: Muitas vezes os pais precisam melhorar suas habilidades de comunicação então um exercício valioso é explicar de várias formas, usar palavras diferentes e falar quantas fezes for necessário, em momentos diferentes. Às vezes tentar outras formas de comunicação com base na nossa experiência e na compreensão de como é nossa criança pode dar certo!


Deixe a criança falar: Ao conversar com uma criança, diversas vezes interrompemo-as e damos opiniões ou mostramos logo nossas intransigências a respeito de determinado assunto, culpamos ou damos conselhos provocando o silêncio da criança e consequentemente uma omissão sobre determinado assunto fazendo com que a criança perca o interesse em compartilhar seus assuntos e sentimentos.
Palavrinhas essenciais: Quando conversamos com a criança, há algumas palavras que facilitam e estimulam a criança como:“Hummmm!”, “Oh!”, “Sei”.
Assim a criança sente-se confiante para continuar a falar, consegue elaborar melhor seu pensamento e há possibilidade de encontrar suas próprias soluções.

Validar o sentimento: Aceitar o sentimento da criança nomeando-o corretamente conforta-a deixando-a tranqüila com tudo o que está sentindo.
Diga a criança o que fazer e não o que NÃO FAZER: Quando pedimos algo para a criança, logo colocamos esta palavra “NÃO” como negássemos a possibilidade de tal comportamento ocorrer.
Para melhor explicar:
Não fale - Não bata a porta!
Fale - Feche a porta devagar, por favor

“Parabéns”, “Obrigado”, “Por Favor”: As crianças também precisam de gentilezas comuns que nós utilizamos com as outras pessoas. Elas também aprendem imitando a fala e o comportamento dos adultos.
Não usar palavras rudes, que rotulam a criança: Palavras grosseiras são péssimas para uma boa comunicação, além de fazer a criança sentir-se incomodada, triste e provocando um pobre auto conceito. Há várias formas de cometer este erro:
Ridicular: “Você está agindo como um bebê”
Vergonha: “Olha o que você está fazendo, seus amigos estão todos olhando”
Insultos: “Você é um vacilão
Se a criança fez algo que não agradou, diga-lhe que não gostou de tal comportamento, nomeando-o corretamente.


Incentivar: As palavras amáveis dão resultados positivos e reforçam a auto confiança, ajuda a pensar melhor nos comportamentos e suas conseqüências e dá ânimo para se esforçar mais e para conseguir mais.
Exemplo:
“Obrigado por me ajudar.”
“Você fez um bom trabalho ao arrumar a cama.”
“Estou feliz com você.”
“Eu te amo.”
“Gostei de ver que você chegou da escola, colocou a mochila no lugar e a lancheira na cozinha.”

A boa comunicação ajuda as crianças a desenvolver a confiança, sentimentos bons, auto estima e torna a vida mais agradável com eles ajuda-os a crescer e tornarem adultos que têm bons sentimentos sobre si mesmos e com os outros.
Lembrete: Mudar uma atitude ou a forma de comunicação que estamos acostumados não é fácil, é como reaprender algo já aprendido mas é importante realizarmos este esforço pois isso será construtivo e reforçados para a relação de vocês.Pense Nisso!


Por:Simone Barbosa Pasquini

Pesquisa revela que atividade física melhora a performance acadêmica em crianças

Uma recente revisão de estudos anteriores sugeriu que existe uma relação positiva entre a prática da atividade física e a melhoria do desempenho acadêmico em crianças, a pesquisa foi publicada no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.

Um grupo de pesquisadores holandeses da Vrije Universiteit University Medical Center revisaram estudos que incluíram amostras de 12 mil crianças entre as idades de 6 a 18 anos e concluíram que " de acordo com as evidências , encontramos fortes evidências de uma relação entre atividade física e performance acadêmica. A descoberta mostra que ser fisicamente ativo está relacionado com a melhoria do desempenho acadêmico".

Os autores sugerem que o exercício ajuda a cognição aumentando o aporte de sangue e oxigênio ao cérebro, o que eleva os níveis de norepinefrina e endorfinas e reduz o estresse, melhorando o humor. Além disso, aumenta os fatores de crescimento que ajudam a desenvolver células nervosas e dão suporte à plasticidade das sinapses, as conexões entre elas.

Sendo que uma das razões para a realização da pesquisa foi a pressão exercida sobre os estudantes para a melhoria no desempenho das avaliações, o que pode deixar menos tempo livre para prática de atividade física e esportes.

"Relativamente poucos estudos com alta qualidade metodológica haviam explorado essa associação", dizem os autores. "É preciso fazer mais estudos com alta qualidade sobre a associação e sobre os mecanismos subjacentes, usando medidas válidas para avaliar com precisão", concluem.

Fonte: Estadão


Autistas chegam ao mercado de trabalho


Como o maior conhecimento sobre o transtorno, terapias adequadas e diagnóstico precoce têm permitido às pessoas com autismo trabalhar

CONQUISTA
Fernanda Raquel desenvolveu a habilidade de desenhar para se comunicar.
Hoje trabalha como ilustradora
Um cenário impensável no passado. Na empresa dinamarquesa de testagem de softwares Specialisterne, 80 dos 100 funcionários têm autismo. Uma das pioneiras na contratação de mão de obra autista, ela é um exemplo do grande avanço ocorrido nos últimos anos no universo das pessoas que convivem com esse transtorno. Com a melhor compreensão sobre a síndrome, os autistas têm deixado a clausura do espaço privado e ganhado o espaço público. “O autismo é um conjunto muito heterogêneo de condições que têm como ponto de contato os prejuízos nas áreas da comunicação, comportamento e interação social”, explica o neurologista Salomão Schwartzman. Se durante muito tempo se falou apenas dessas dificuldades, atualmente começam a ser discutidas as habilidades associadas e como isso pode ser aproveitado em diferentes profissões. Tanto que já há uma primeira geração a chegar ao mercado de trabalho. “Eles têm boa memória, uma mente muito bem estruturada, paixão por detalhes, bom faro para encontrar erros e perseverança para realizar atividades repetitivas”, disse à ISTOÉ o fundador da Specialisterne, Thorkil Sonne.

Sonne resolveu investir no filão após o nascimento do filho autista Lars, hoje com 14 anos. A aposta deu tão certo que a empresa abriu unidades na Islândia, Escócia e Suíça e tem servido de inspiração para outras iniciativas. O empresário calcula entre 15 e 20 os projetos inspirados na matriz dinamarquesa em todo o mundo. Um deles é a Aspiritech, nos Estados Unidos, que, desde o ano passado, funciona com 11 engenheiros autistas trabalhando no teste de softwares. “Desde a década de 80, pesquisas mostram que essas pessoas têm uma capacidade muito maior de perceber pequenos detalhes visuais”, falou à ISTOÉ Marc Lazar, da Aspiritech. “Em testes para medir essa habilidade, eles cumprem o desafio em 60% do tempo gasto pelos demais e com grande acurácia.”

Para se chegar à observação dessas qualidades foi preciso superar um erro de interpretação. “Por muito tempo, o autismo foi encarado como uma deficiência intelectual”, diz Adriana Kuperstein, diretora da Re-fazendo, assessoria educacional especial de Porto Alegre. O que se percebeu posteriormente é que em apenas alguns casos há a associação com deficiências intelectuais. Muitos autistas têm o intelecto preservado, vários com inteligência superior à média, mas não conseguem interagir porque não sabem usar os canais normais de comunicação.

CONFIANÇAO dinamarquês Thorkil Sonne tem uma empresa que explora as habilidades dos autistas
“É como um computador sem os softwares necessários para realizar determinada tarefa”, compara a psicóloga Alessandra Aronovich Vinic, que pesquisa autismo. Em seu consultório, ela aplica o método do treino das habilidades sociais. Seus pacientes aprendem, por exemplo, a reconhecer as feições relacionadas a sentimentos, como tristeza e alegria, ou a fixar o olhar no outro enquanto conversam. Pode parecer prosaico, mas faz toda a diferença para quem tem autismo. “As pessoas se comunicam visualmente o tempo todo”, fala Júlia Balducci de Oliveira, 23 anos. Para a jovem, não conseguir olhar nos olhos era uma fonte de angústia só superada com terapia. Formada em cinema, hoje Júlia trabalha na direção de um documentário sobre o autismo.
Atualmente se sabe que quadros mais discretos também se incluem no chamado espectro autista, com boas possibilidades de tratamento. “Mas há 30 anos somente pacientes muito graves eram diagnosticados”, explica Ricardo Halpern, da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Eles eram internados, sedados e alijados do convívio social.” A delimitação desse grupo maior de pessoas aprimorou os métodos de tratamento. “As intervenções começaram a ser feitas mais precocemente, gerando maior inserção social”, disse à ISTOÉ o brasileiro Carlos Gadia, professor do departamento de neurologia da Universidade de Miami e diretor-médico da ONG Autismo&Realidade. Os principais beneficiados foram os pacientes de quadros mais leves.

Foi o caso da jovem Fernanda Raquel Nascimento, 18 anos. A terapia ajudou a jovem a vencer os obstáculos que encontrava para interagir. Também progressivamente ela transformou em profissão o que era uma de suas formas de comunicação, o desenho. Hoje ela comemora seus primeiros trabalhos de ilustração para a Livraria Saraiva, em São Paulo. “Com o dinheiro, quero cursar faculdade”, diz. A jovem ainda trabalha em casa, mas o objetivo é que passe a dar expediente no escritório. “Ela realiza um trabalho de alta qualidade e com um ótimo atendimento da demanda”, fala Jorge Saraiva, proprietário da rede de livrarias. Depois do contato com Fernanda, a empresa iniciou um plano para a contratação de pessoas com diferentes tipos de transtorno, entre eles, o autismo. Que se torne um cenário comum.
Por Rachel Costa
Fonte: Isto é

PSICOPATOLOGIA INFANTIL E TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO




Basta conversar com uma professora de qualquer escola, seja ela pública ou privada, para se dar conta do número cada vez mais freqüente de crianças que apresentam sintomas compatíveis com diversos transtornos mentais descritos atualmente como referentes à infância. A importância das informações do professor para que o médico faça o diagnóstico é imprescindível, assim como o auxílio do regente de sala para que um tratamento psicoterápico seja mais eficaz.

Iremos aqui iniciar uma pequena explanação sobre a Psicopatologia específica da infância, dando ênfase aos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento e também ao Transtorno Opositivo Desafiador. Posteriormente iremos tratar de outros transtornos.

Atualmente acredita-se que entre 14 até 22% das crianças apresentam algum transtorno comportamental, emocional ou do desenvolvimento, sendo que aproximadamente 8% apresentam alguma perturbação mais grave. Pesquisas comprovam que diversos transtornos apresentam-se de forma contínua ao longo da vida, ou seja, quando essas crianças crescem e se tornam jovens e adultos, muitos desses transtornos as acompanham, acarretando prejuízos sociais, econômicos e afetivos, entre outros.

Mas o que é considerado normal ou anormal? Os transtornos infantis são considerados “desvios que implicam uma diminuição do funcionamento adaptativo, um desvio estatístico, mal estar ou incapacidade inesperados e/ou deterioração biológica” (Caballo, 2007). O transtorno infantil provoca deterioração ou uma privação de benefícios à criança quando consideramos as normas sociais e é a consequência da falha de algum mecanismo interno para realizar uma função natural.

É sabido que alguns transtornos infantis, como a deficiência mental e o autismo são condições crônicas que persistem ao longo do desenvolvimento e outros transtornos, como a enurese e a encoprese raramente se mantêm até a vida adulta.

TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO

Grupo de condições psiquiátricas nas quais as habilidades sociais, o desenvolvimento da linguagem e o repertório comportamental esperados não se desenvolvem de maneira adequada ou são perdidos no início da infância. Afetam diversas áreas do desenvolvimento e se manifestam de maneira precoce, causando disfunções permanentes.

O mais conhecido dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento é o Transtorno Autista (autismo infantil), que se caracteriza por comprometimentos persistentes nas interações sociais recíprocas, desvios na comunicação e padrões comportamentais restritos e estereotipados. É sabido que mais de dois terços dos indivíduos portadores de transtorno autista têm retardo mental mas este não é item fundamental para o diagnóstico.

As características Clínicas e Diagnósticas para o Transtorno Autista podem se dividir em 3:

1- Características físicas: podem ser menores que as outras crianças, fracasso na lateralização (permanecem ambidestras), maior incidência de dermatóglifos anormais (impressões digitais) e também uma maior incidência de infecções respiratórias das vias aéreas superiores, eructações excessivas, convulsões febris, etc.

2- Características Comportamentais: tais como comprometimentos qualitativos na interação social, perturbações da comunicação e linguagem, comportamentos estereotipados, instabilidade de humor e afeto e respostas a estímulos sensoriais de forma diferenciada.

3- Funcionamento intelectual: rebaixado quando comparadas às outras crianças.

O Transtorno Autista tem um curso crônico e um prognóstico reservado. Os objetivos do tratamento são diminuir os sintomas comportamentais e auxiliar no desenvolvimento de funções atrasadas, rudimentares ou inexistentes tais como linguagem e habilidades de autonomia. Os pais sempre necessitam de apoio e aconselhamento.

O tratamento comprovadamente mais eficaz para crianças portadoras de Transtorno Autista é a Psicoterapia Comportamental e deve sempre ser associada a treinamento estruturado em sala de aula. Estudos comprovam a obtenção de progressos nas áreas da linguagem e cognição, juntamente com redução do comportamento mal-adaptativo quando se utiliza o método comportamental.

Para saber mais:

www.facion.psc.br
www.autismo.com.br
www.ama.org.br
www.autismoinfantil.com.br

Transtorno Opositivo Desafiador

A principal característica do Transtorno Opositivo Desafiador é um padrão recorrente de comportamento negativista, desafiador, desobediente e hostil para com figuras de autoridade, que persiste por pelo menos 6 meses e se caracteriza pela ocorrência freqüente de pelo menos quatro dos seguintes comportamentos:

  • perder a paciência,
  • discutir com adultos,
  • desafiar ativamente ou recusar-se a obedecer a solicitações ou regras dos adultos ,
  • deliberadamente fazer coisas que aborrecem outras pessoas, r
  • responsabilizar outras pessoas por seus próprios erros ou mau comportamento,
  • ser suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros,
  • mostrar-se enraivecido e ressentido, ou ser rancoroso ou vingativo.
Os comportamentos negativistas ou desafiadores são expressados por teimosia persistente, resistência a ordens e relutância em comprometer-se, ceder ou negociar com adultos ou seus pares. Apresentam também testagem deliberada ou persistente dos limites, geralmente ignorando as ordens dadas por pais ou professores, discutindo e deixando de aceitar a responsabilidade pelos seus atos. A hostilidade pode ser dirigida a adultos ou crianças, sendo demonstrada ao incomodar de modo frequente e insistente ou agredir verbalmente outras pessoas (em geral sem a agressão física mais séria vista no Transtorno da Conduta).
As manifestações do transtorno estão quase que invariavelmente presentes no contexto doméstico, mas podem ser evidentes também na escola ou na comunidade. Os sintomas do transtorno tipicamente evidenciam-se mais nas interações com adultos ou companheiros a quem o indivíduo conhece bem, podendo assim não serem perceptíveis durante o exame clínico. Em geral, os indivíduos com este transtorno não se consideram oposicionais ou desafiadores, mas justificam seu comportamento como uma resposta a exigências ou circunstâncias irracionais.
  • Características e Transtornos Associados
As características e transtornos associados variam em função da idade do indivíduo e gravidade do Transtorno Desafiador Opositivo. No sexo masculino, o transtorno é mais prevalente entre aqueles indivíduos que, nos anos pré-escolares, têm temperamento problemático (por ex., alta reatividade, dificuldade em serem acalmados) ou alta atividade motora. Durante os anos escolares, pode haver baixa auto-estima, instabilidade do humor, baixa tolerância à frustração, blasfêmias e uso precoce de álcool, tabaco ou drogas ilícitas. Existem, freqüentemente, conflitos com os pais, professores e companheiros. Pode haver um círculo vicioso, no qual os pais e a criança trazem à tona o que há de pior um do outro. O Transtorno Desafiador Opositivo é mais prevalente em famílias nas quais os cuidados da criança são perturbados por uma sucessão de diferentes responsáveis ou em famílias nas quais práticas rígidas, inconsistentes ou negligentes de criação dos filhos são comuns. O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é comum em crianças com Transtorno Desafiador Opositivo, bem como os Transtornos da Aprendizagem e da Comunicação.

O Transtorno Desafiador Opositivo em geral manifesta-se antes dos 8 anos de idade e habitualmente não depois do início da adolescência. Os sintomas opositivos freqüentemente emergem no contexto doméstico, mas com o tempo podem aparecer também em outras situações. O início é tipicamente gradual, em geral se estendendo por meses ou anos. Em uma proporção significativa dos casos, o Transtorno Desafiador Opositivo é um antecedente evolutivo do Transtorno da Conduta.

Reportagem REVISTA VEJA (www.veja.com)

Déficit de atenção ainda é problema subestimado

Por Natalia Cuminale

As vendas de metilfenidato - medicamento indicado para o tratamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) – saltaram quase 80% entre 2004 e 2008, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O aumento provocou suspeitas de uso indiscriminado da droga: levantou-se até a hipótese de que crianças receberiam erroneamente o diagnóstico positivo por conta do comportamento agitado. Além disso, adolescentes estariam obtendo o remédio tarja-preta clandestinamente para turbinar suas funções cognitivas.


Consultados acerca da eventual prescrição infantil imprópria, especialistas ouvidos por VEJA.com apostaram justamente na tese contrária. "Configura-se mais um caso de subdiagnóstico do que de prescrição exagerada", afirma Luís Rohde, psiquiatra da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). "Esse fenômeno de vendas mal corresponde à necessidade real do país", complementa Paulo Mattos, psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro sobre o tema No Mundo da Lua. A partir de dados da Anvisa e do IBGE, o médico diz que menos de 30.000 pessoas com TDAH são tratadas por ano no país - número baixo, frente aos 3 milhões de brasileiros potencialmente portadores.
Por essa razão, os especialistas preferem creditar a disparada no consumo à disseminação do conhecimento sobre o distúrbio neuropsiquiátrico - que atinge entre 3% e 6% das crianças em idade escolar. "Quanto maior a gama de informações, capacitação e esclarecimento acerca de um transtorno, mais pessoas procuram um diagnóstico. Isso faz com que aumente a incidência do uso da medicação", afirma Iane Kestelman, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção.

Diagnóstico difícil - A opinião dos médicos, contudo, não encerra a questão. "De fato, existem diagnósticos errados e o uso desnecessário da medicação - o que ocorre em todas as áreas medicina. Mas o tratamento correto não pode pagar a conta dos maus profissionais", afirma Kestelman.

Na raiz do problema está a dificuldade no diagnóstico de TDAH. Ao contrário de outros males, não há um exame laboratorial que possa complementar ou confirmar a análise realizada em consultório. Para descobrir se uma criança possui o transtorno, é preciso observar se os sintomas ocorrem há pelo menos seis meses em ambientes diferentes, como escola e família. Além disso, o médico especialista deve, por meio de entrevista, analisar se o perfil do paciente se encaixa em uma lista de 18 sintomas. Isso pode dar margem a que um médico menos experiente realize um diagnóstico exagerado.

"Os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade têm que se manifestar em todos os contextos em que a criança vive e precisam provocar um prejuízo na vida dela, seja no relacionamento familiar, social ou no desempenho acadêmico", explica Marcos Arruda, neurologista pediátrico do Instituto Glia e membro da Associação de Neurologia e Psiquiatria Infantil.

Erro e acerto - Por conta de um diagnóstico errado, o designer Gabriel (que prefere não revelar seu nome verdadeiro) viveu severas turbulências durante boa parte da vida. "Minha infância e adolescência foram um inferno. Mais tarde, cheguei a largar a faculdade três vezes devido ao problema", conta. Sofrendo, ele procurou um médico, que apresentou o diagnóstico de transtorno bipolar e impôs ao jovem, hoje com 27 anos, três anos de tratamento intensivo com remédios para combater aquele mal.

Há dois anos, porém, veio um novo veredito: TDAH. Veio também uma nova vida. "Agora, faço em 15 minutos uma tarefa que, por conta de distração, levaria uma hora", diz Gabriel.

Surpresa maior acerca da sua situação médica estaria por vir. Depois do novo diagnóstico, a mãe de Gabriel revelou que ele recebera o mesmo parecer médico na infância. O tratamento, contudo, foi suspenso devido a pressões na escola. "Naquela época, a diretora repreendeu minha mãe porque não achava correto dar um remédio tarja-preta para uma criança", diz Gabriel. "Ela só me contou a história depois do novo diagnóstico: até então, ela tinha vergonha de revelar isso."

Como funciona a droga - A Ritalina, nome comercial do metilfenidato, ajuda pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade a se concentrar com mais facilidade. "Um paciente com TDAH tem seu processo de atenção desregulado na liberação de dopamina (neurotransmissor)", diz Geraldo Possendoro, psiquiatra comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "A medicação estabelece o funcionamento adequado."


Droga para déficit de atenção é usada para 'turbinar' mente

Enquanto algumas pessoas utilizam o metilfenidato para conseguir a concentração necessária para atividades cotidianas, outros usam o medicamento com o objetivo de elevar suas funções cognitivas ? mesmo sem necessidade clínica comprovada. A meta é conseguir se focar e melhorar o desempenho em provas da escola, da faculdade ou até para passar em um concurso público.

Esse foi o caso da estudante Sheyla Goulart Citrangulo, de 19 anos, aluna do curso de biomedicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Ela usou o remédio quando tinha 15 anos. "Eu precisava aumentar minhas notas em física e decidi que tomaria um comprimido a cada dia que tivesse aula da disciplina", relembra. "No primeiro dia, fiquei até assustada, porque borbulhavam ideias na minha cabeça. Na aula, ao contrário dos outros dias, eu não desviava a atenção em nenhum minuto." Resultado: as notas melhoraram, sem efeitos colaterais aparentes.

A estudante fez ainda outra investida com o metilfenidato. Dessa vez, porém, o resultado foi considerado "desastroso". "Eu tive uma crise de nervos, chorava o tempo todo e não lembrava nada das matérias que antes eu dominava. Então, cessei o uso", diz.

Os efeitos colaterais mais comuns para quem utiliza o metilfenidato são dores de cabeça, diminuição do apetite, irritabilidade e alteração do sono. "Isso pode ocorrer em 15% ou 20% dos pacientes que recebem a prescrição médica", explica Luís Rohde, psiquiatra da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

Em casos em que a receita médica é obtida de forma clandestima, os riscos aumentam. "Como não existe avaliação médica prévia, há risco de agravamento de problemas pré-existentes neuropsiquiátricos ? como transtorno do pânico, transtorno bipolar, epilepsia - e também clínicos - hipertensão arterial, arritmias cardíacas", diz Paulo Mattos, psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro No Mundo da Lua.

Em 2008, a revista científica Nature realizou uma pesquisa informal sobre o assunto junto a 1.400 leitores. Resultado: 20% deles assumiram já haviam ingerido metilfenidato e modafinil com o objetivo de melhorar a concentração e a memória. "O metilfenidato realmente melhora o desempenho cognitivo. É um fato que vem sendo discutido pelos cientistas e já deixou de ser puramente médico, tornando-se uma questão ética", afirma Marcos Arruda, neurologista pediátrico do Instituto Glia e membro da Associação de Neurologia e Psiquiatria Infantil.

O recente salto no consumo da droga no país - quase 80% entre 2004 e 2008 - teria aí mais uma razão. "Um aumento de vendas do metilfenidato pode estar relacionado ao uso não-médico do medicamento - especialmente num país onde dezenas de milhares de pessoas vivem estudando para concursos públicos", comenta Mattos.


Déficit de atenção: professor pode ajudar

Normalmente, é no ambiente escolar que os problemas de atenção e hiperatividade começam a aparecer. Além de agitada, a criança não consegue tirar notas boas ou pode ter problemas para se relacionar com os amigos. Por isso, os médicos ressaltam a importância do professor nesse processo: ele pode levantar a hipótese da existência de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). "Muitas vezes, eles percebem os sinais antes mesmo dos pais. É importante ouvi-los", afirma Paulo Mattos, psiquiatra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro No Mundo da Lua, sobre TDAH.

Nas escolas, o comportamento das crianças é observado de perto por pedagogos. Quando uma criança começa apresentar um comportamento prejudicial, os pais devem ser imediatamente convidados para uma conversa.

"Não temos capacidade de diagnosticar. O que podemos fazer é conversamos com a família e sugerir uma avaliação médica", explica Kristine Kross Maita, diretora da Unidade do Morumbi do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo. "Na escola, temos muitas crianças que tomam Ritalina (medicamento que controla o TDAH) e já tivemos resultados excelentes."

O tratamento para uma criança com TDAH pode mudar completamente sua evolução, principalmente na fase escolar. No entanto, é preciso cautela. "Nem todos os que são agitados têm TDAH", alerta Silvania Leporace, coordenadora do serviço de orientação educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. "As crianças fazem muitas coisas ao mesmo tempo, mas nem todas são hiperativas. Algumas só precisam de regras e limites", completa.

Paulo Mattos resume qual deve ser o objetivo de um eventual tratamento para uma criança, caso o TDAH seja comprovado. "A ideia principal não é tratar essa criança porque ela é agitada demais e atrapalha as outras. Deve-se tratá-la porque o problema atrapalha o próprio desenvolvimento dela."


Fonte: Revista Veja

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade



DEFINIÇÃO
Disfunção cerebral associada a sintomas comportamentais dominados pela DESATENÇÃO ( “ desligado / avoado ‘’ ) COM ou SEM IMPULSIVIDADE ( “ age antes de pensar ‘’ ) e HIPERATIVIDADE ( “ não pára quieto ‘’ ) ocasionando baixo desempenho social (“ isolamento social‘’)
e acadêmico ( “ rendimento escolar ruim ‘’ ).

  • Distúrbio neuropsiquiátrico de comportamento mais prevalente.
  • Grande número de estudos nos últimos 50 anos.
  • Incidência: 2 a 5% das crianças em idade escolar, variável de acordo com o critério de diagnóstico e interpretação dos sintomas.
  • Considerando a população estudantil em nosso país, podemos obter uma média de um aluno por turma escolar com TDAH.

Mais comum em MENINOS (3:1).
O diagnóstico é CLÍNICO, baseado nas informações dos pais, professores, questionários e observação clínica.
Estudos laboratoriais, de imagem e eletrofisiológicos não são usados de rotina para o diagnóstico, devendo ser empregados com objetivo de afastar outros diagnósticos.
Fisiopatologia: Desregulação da liberação e ação de DOPAMINA na REGIÃO PRÉ-FRONTAL do cérebro, responsável pelo controle da concentração e da agitação.

CAUSAS
Genética:
Concordância entre gêmeos univitelinos.
Altos coeficientes de HEREDITARIEDADE 60% dos casos apresentam história familiar
Atualmente, a literatura considera os fatores genéticos como os principais agentes causais.
Fatores ambientais:
Prematuridade.
Hipóxia perinatal.
Infecção sistema nervoso central.
Trauma craniano.
Epilepsia.
Desnutrição.
Tabagismo materno.

SUBTIPOS DE TDAH:

  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade tipo Combinado
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade tipo Predominantemente Desatento
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo


CONDIÇÔES ASSOCIADAS:

  • Distúrbios de coordenação motora fina.
  • Atraso no desenvolvimento da linguagem.
  • Dificuldades de aprendizagem.
  • Tiques.
  • Distúrbios do sono.
  • Enurese, encoprese.


DISTÚRBIOS DO COMPORTAMENTO:

  • Comportamento anti-social:
  • Tendência a mentir.
  • Pequenos furtos.
  • Ansiedade.
  • Baixa de auto-estima.
  • Dificuldade no relacionamento inter-pessoal.
  • Dificuldade de auto-percepção.
  • Comportamento depressivo.


TRATAMENTO:
Educação e esclarecimento do paciente, sua família e escola.
O profissional da Psicologia é responsável pela avaliação da situação familiar referente a regras ou outros fatores ambientais e participa do desenvolvimento de SOLUÇÕES de acordo com a opinião comum da criança e dos pais ou responsáveis.
Adaptação CASA - ESCOLA.
Treinamento cognitivo-comportamental. (habilidades para auto avaliação, instrução e monitoramento).
Orientação pedagógica.
Tratamento fonoaudiológico.
Tratamento terapêutico ocupacional.
Atividade física e atividades que envolvem concentração ( ex, xadrez ).
Tratamento medicamentoso: Metilfenidato (Ritalina®, Concerta®), Imipramina, Risperidona.


Em caso de dúvida, procure o médico responsável pelo tratamento de seu filho e não se esqueça de que toda a EQUIPE deve estar empenhada em sua melhora.