Medos, Ansiedades e Fobias


Todos, desde o filho mais novo ao mais velho, experimentam ansiedades e medos em um momento ou outro. Sentir-se ansioso em uma situação particularmente desconfortável não é legal. No entanto, com as crianças, tais sentimentos não são apenas normal, eles também são necessárias. Lidar com ansiedade pode preparar os jovens para lidar com as experiências inquietantes e situações desafiadoras da vida. 

A ansiedade é definida como "apreensão sem causa aparente." Isso geralmente ocorre quando não há ameaça imediata à segurança de uma pessoa ou bem-estar, mas a ameaça parece real.

A ansiedade faz alguém querer fugir da situação, e rápido. O coração bate mais rapidamente, o corpo pode começar a transpirar e sente-se "borboletas" no estômago. No entanto, um pouco de ansiedade pode realmente ajudar as pessoas a ficar alerta e focada.

Tendo medos ou ansiedades sobre certas coisas também pode ser útil porque as crianças se comportam de maneira segura. Por exemplo, uma criança com medo do fogo evita a brincar com fósforos.

A natureza das ansiedades e medos mudam à medida que as crianças crescem e se desenvolvem:

•Bebês sofrem de ansiedade, agarrando-se aos pais quando confrontado por pessoas que não reconhecem.

•Crianças em torno de 10 a 18 meses experienciam a ansiedade de separação, tornando-se emocionalmente perturbado quando um ou ambos os pais as deixam.

•Crianças com idades entre 4 a 6 anos tem ansiedade sobre coisas que não são baseadas na realidade, como medo de monstros e fantasmas.

•Crianças com idades entre 7 a 12 anos à vezes tem medos que refletem circunstâncias reais que podem acontecer a eles, tais como lesão corporal e desastre natural.


Como as crianças crescem, um medo pode desaparecer ou se substituido por outro. Exemplo, uma criança que não conseguia dormir com a luz apagada aos 5 anos de idade pode desfrutar de uma história de fantasma mais tarde. E alguns medos pode se estender apenas a um tipo particular de estímulo. Em outras palavras, uma criança pode querer acariciar um leão no zoológico, mas consegue chegar perto do cachorro do vizinho.


Sinais de ansiedade

Medos infantis típicos mudam com a idade. Eles incluem o medo de estranhos, alturas, escuridão, animais, sangue, insetos, e ser deixado sozinho. As crianças muitas vezes aprendem a temer um objeto ou situação específica, depois de ter uma experiência desagradável, como uma mordida de cão ou um acidente.

Ansiedade de separação é um outro tipo de ansiedade comum quando as crianças estão começando a escola, enquanto que os adolescentes podem sofrer de ansiedade relacionada à aceitação social e desempenho acadêmico.


Se sentimentos de ansiedade persistirem, eles podem tornar-se um grande problema em relação ao sentimentos de bem-estar de uma criança. A ansiedade associada com evitação social pode ter efeitos a longo prazo. Por exemplo, uma criança com medo de ser rejeitado pode deixar de aprender importantes habilidades sociais, causando o isolamento social.


Muitos adultos são atormentados por medos que decorrem das experiências da infância. Medo de um adulto ao falar em público pode ser o resultado de constrangimento na frente de colegas de muitos anos antes. É importante que os pais reconhecem e identifiquem os sinais e sintomas da ansiedade das crianças para que os medos não atrapalhem o desenvolvimento saudável a longo prazo.


Alguns sinais de que uma criança ansiosa:

•tornar-se pegajosa, impulsiva, ou distraída

•movimentos nervosos, como espasmos temporários

•problemas para dormir e/ou dormir mais tempo que o normal

•mãos suadas

•batimento cardíaco acelerado e respiração ofegante

•náusea

•dores de cabeça (sem justificativa fisiológica)

•dores de estômago


Os pais ao perceber a ansiedade ou algum sentimento de inquietação podem dizer algo ao filho e escutar de forma atenta pois algumas vezes apenas essa simples atitude pode ajudar a criança a entender e perceber o que esta ocorrendo. 


O que é uma fobia?


Quando ansiedades e medos persistem, podem surgir problemas. Por mais que um pai espera que a criança cresça e supere esta fase dos medos, às vezes ocorre o oposto, e a  ansiedade paira e torna-se mais prevalente. A ansiedade pode-se  tornar uma fobia ou um medo extremo, grave e persistente.


A fobia pode ser muito difícil de tolerar, tanto para as crianças e aqueles à sua volta, especialmente se o estímulo a ansiedade (o que está causando a ansiedade) é inevitável (por exemplo, tempestades e trovões).


A fobia é uma das principais razões as quais as crianças são encaminhadas a profissionais da saúde. Mas a boa notícia é que, a menos que a fobia persista e dificulte a capacidade diária de função, a criança às vezes não necessita de tratamento longo.


Focalizando ansiedades, medos ou fobias


Tente responder as seguintes perguntas com honestidade:


O medo do seu filho é típico da idade?

Se a resposta a esta pergunta é sim, fique tranquilo os medos de seu filho irá resolver antes de se tornar um sério motivo de preocupação. Isto não é para dizer que a ansiedade deve ser ignorada, mas sim, deve ser considerado como um fator de desenvolvimento normal da criança.

Muitas crianças experimentam, adequado à idade, o medo do escuro. A maioria, ultrapassam com alguma tranquilidade esta fase, talvez, uma noite acordada, é possível eliminar esta dificuldade. No entanto, se continuar a ter problemas uma intervenção será inevitável.

Quais são os sintomas do medo, e como eles afetam o funcionamento pessoal, social e acadêmico do seu filho?
Se os sintomas podem ser identificados e superados com as atividades cotidianas do seu filho, ajustes podem ser feitos para aliviar alguns dos fatores de estresse, mas ainda encontra-se numa normalidade.

Será que o medo parece razoável em relação à realidade da situação, ou poderia ser um sinal de um problema mais sério. Se o medo do seu filho parece estar fora de proporção com a causa do estress, o que pode sinalizar a necessidade de buscar ajuda externa como um psiquiatra ou psicólogo.

Os pais devem procurar padrões. Se um incidente isolado for resolvido, não torná-lo mais significativo do que é. Mas se surge um padrão que é persistente ou penetrante, você deve agir. Se você não fizer isso, a fobia é provável que continue a afectar o seu filho.

Contacte o seu médico e / ou um profissional de saúde mental que tenha experiência em trabalhar com crianças e adolescentes.


Ajude o seu filho


Os pais podem ajudar as crianças a desenvolver habilidades e a confiança para superar medos para que eles não evoluam para reações fóbicas.

Para ajudar seu filho a lidar com medos e ansiedades:

• Reconhecer que o medo é real e faz seu filho sentir-se ancioso.ioso e com medo. Ser capaz de falar sobre os medos ajuda - as palavras muitas vezes tiram um pouco da energia do sentimento negativo. Se você falar sobre isso, pode tornar-se menos potente.

•Nunca menospreze o medo como uma maneira de forçar seu filho a superá-lo. Dizendo: "Não seja ridículo! Não há monstros em seu armário!". Você pode conseguir que seu filho vá para a cama, mas não fará com que o medo vá embora.

•Não atender aos temores, no entanto. Se seu filho não gosta de cães, não atravessar a rua deliberadamente para evitar um reforça a idéia que os cães devem ser temido e evitado. Prestar cuidados de apoio e gentileza como você se aproxima do objeto temido ou situação com seu filho.

•Ensinar as crianças a dar uma nota na intensidade do medo. Uma criança que pode visualizar a intensidade do medo em uma escala de 1 a 10, sendo 10 o mais forte, pode ser capaz de "ver" o medo como menos intensas do que imaginava. 

A chave para resolver medos e ansiedades é superá-los. Usando estas sugestões, você pode ajudar seu filho a lidar melhor com situações da vida.

Fonte: Kids Health




Trantorno de Ansiedade em Crianças

O que é Ansiedade? 


A ansiedade é uma forma de estresse que pode ser experimentada de diferentes maneiras:fisicamente, emocionalmente, e na forma como as pessoas vêem o mundo em torno de si próprias. 

Ansiedade refere-se principalmente a preocupação, ou seja, acontecimentos, preocupar com as coisas dando errado ou sentir como se estivesse em algum tipo de perigo. 

A ansiedade é uma reação natural do ser humano, e serve como uma função biológica importante pois é um sistema de alarme que é ativado sempre que percebemos o perigo ou uma ameaça. Quando o corpo e a mente reagem, podemos sentir sensações físicas, como tontura, batimento cardíaco acelerado, dificuldade respiratória, as mãos suadas ou com tremores e pés. Essas sensações, chamadas de resposta de luta-fuga, são causadas ​​por uma onda de hormônios do estresse como adrenalina e outros que preparam o corpo para reagir contra o perigo. 

A resposta de luta-fuga acontece instantaneamente. Mas, geralmente, leva alguns segundos a mais para a parte pensante do cérebro (o córtex) processar a situação e avaliar se a ameaça é real, e se sim, como lidar com isso. Quando o córtex envia o sinal de que está tudo bem, a resposta de luta-fuga é desativado e o sistema nervoso começa a se acalmar.


Ansiedade normal 

Todo mundo experimenta sentimentos de ansiedade ao longo do tempo. Estes sentimentos podem variar de uma leve sensação de desconforto para um pânico, dependendo da pessoa e da situação.

É natural que situações desconhecidas ou desafiadoras possam eliciar sentimentos de ansiedade ou nervosismo em pessoas de todas as idades. Você pode sentir isso quando você tem uma grande apresentação no trabalho, por exemplo, ou quando a vida fica muito agitado. 

Crianças podem se sentir, também, em situações semelhantes - quando enfrenta um teste importante ou mudar as escolas, por exemplo. Estas experiências podem desencadear ansiedade normal, porque eles nos levam a concentrar-se e nos questionar: E se eu fracassar? E se as coisas não sairem como eu planejei? 

Uma certa quantidade de ansiedade é normal e pode até ser motivador. Ela nos ajuda a permanecer alerta, focado, e pronto para nós fazermos o nosso melhor. Mas a ansiedade que é muito forte ou muito freqüente pode tornar-se paralizante e interfere na capacidade de fazer as  coisas e, em casos graves, pode dificultar a realização de diversas coisas boas e agradáveis ​​da vida. 

Transtornos de Ansiedade 

Os transtornos de ansiedade estão entre os mais comuns problemas de saúde mental. Isso é em parte porque todos estresse pode se tornar uma experiência repleta de preocupações. Há muitos tipos diferentes de distúrbios de ansiedade, com sintomas diferentes. Mas todos eles partilham um traço comum - a ansiedade prolongada e intensa que é fora de proporção com a situação atual e afeta a vida cotidiana de uma pessoa e felicidade. 

Os sintomas de um transtorno de ansiedade pode surgir subitamente ou pode vir gradualmente. Às vezes, a preocupação cria uma sensação de desgraça e mau agouro que parece vir do nada. Crianças com problemas de ansiedade não pode mesmo saber o que está causando as emoções, preocupações e sensações que eles têm. 

Transtornos que as crianças podem obter incluem: 

•Transtorno de  Ansiedade Generalizada: Com este transtorno de ansiedade comum, as crianças se preocupam excessivamente com muitas coisas, como a escola, a saúde ou segurança dos membros da família, ou o futuro em geral. Eles podem sempre pensar o pior que poderia acontecer. Junto com a preocupação e o medo, as crianças podem ter sintomas físicos, como dores de cabeça, dores de estômago, tensão muscular ou cansaço. Suas preocupações poderiam causar-lhes a faltar à escola ou evitar atividades sociais. Com ansiedade generalizada, as preocupações podem se sentir como um fardo, tornando a vida esmagadora ou fora de controle. 

•Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC): Para uma pessoa com TOC, ansiedade toma a forma de obsessões (pensamentos excessivamente preocupantes) e compulsões (ações repetitivas para tentar aliviar a ansiedade). 

•Fobias: Estes são medos intensos de coisas ou situações específicas que não são inerentemente perigosos, tais como altura, cães, ou voando em um avião. Fobias geralmente levam as pessoas a evitar as coisas que eles temem. 

•Fobia Social (ansiedade social): Essa ansiedade é desencadeada por situações sociais ou falar na frente dos outros. Uma forma menos comum chamado mutismo seletivo faz com que algumas crianças e adolescentes sentem medo de falar em determinadas situações. 

•Ataques de Pânico. Estes episódios de ansiedade pode ocorrer sem nenhuma razão aparente. Durante um ataque de pânico, uma criança geralmente tem súbitios e intensos de sintomas físicos que podem incluir um coração acelerado, falta de ar, tontura, dormência, formigamento ou sentimentos. A agorafobia é um medo intenso de ataques de pânico que faz com que uma pessoa vai a lugar nenhum, para evitar uma ataque de pânico poderia ocorrer. 

•Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): o transtorno de ansiedade de uma experiência traumática passado. Os sintomas incluem flashbacks, pesadelos, medo e fuga do evento traumático que causou a ansiedade.


Causas 

Especialistas não sabem exatamente o que causa transtornos de ansiedade. Várias coisas parecem desempenhar um papel, incluindo a genética, a bioquímica cerebral, uma resposta de luta-fuga hiperativa, as circunstâncias estressantes da vida e comportamento aprendido. 

Uma criança com um membro da família que tem um transtorno de ansiedade tem uma chance maior de desenvolver um também. Isso pode estar relacionado a genes que podem afetar a química do cérebro e regulação dos neurotransmissores. Mas nem todo mundo com um membro da família que tem um transtorno de ansiedade desenvolverão problemas com ansiedade. 

Coisas que acontecem na vida de uma criança pode definir o cenário para transtornos de ansiedade na infância ou mais tarde na vida. Exemplos: Perda (como a morte de um ente querido ou separação dos pais) e transições importantes da vida (como se mudar para uma nova cidade) são gatilhos comuns. Crianças com histórico de abuso também são mais vulneráveis ​​à ansiedade. 

Crescer em uma família onde os outros estão com medo ou ansiosos também pode "ensinar" a criança a ver o mundo como um lugar perigoso. Da mesma forma, uma criança que cresce num ambiente que é realmente perigoso (se houver violência na família da criança ou da comunidade, por exemplo) pode aprender a ser medroso ou esperar o pior.


Sinais e Sintomas


Apesar de toda a ansiedade experiênciada pela criança em determinadas situações, a maioria (mesmo aqueles que vivem através de eventos traumáticos) não desenvolvem transtornos de ansiedade. Aqueles que, no entanto, irá parecer ansioso e tem um ou mais dos seguintes sinais: 

•excessiva preocupação na maioria dos dias da semana, durante semanas a fio

•problemas para dormir à noite ou sonolência durante o dia

•inquietação ou fadiga durante as horas de vigília

•dificuldade de concentração

•irritabilidade 

Estes problemas podem afetar o funcionamento de uma criança no dia-a-dia, especialmente quando se trata de concentração na escola, dormir e comer. 

E é comum para as crianças a evitar falar sobre como se sentem, porque eles estão preocupados que os outros (especialmente seus pais) podem não entender. Eles podem ter medo de serem julgados ou considerados fracos, com medo, ou "infantil". E, embora as meninas são mais propensos a manifestar a sua ansiedade, meninos experimentam esses sentimentos também, e por vezes sentem dificuldade para falar. Isto leva muitas crianças a se sentir sozinho ou mal compreendido. 

A boa notícia é que os médicos e terapeutas hoje compreender melhor os transtornos de ansiedade do que nunca e, com o tratamento, pode ajudar as crianças a se sentir melhor


Tratamento 

Uma criança com ansiedade pode ser tratada por um profissional de saúde mental. Um terapeuta pode olhar para os sintomas, diagnosticar o transtorno de ansiedade específico, e criar um plano para ajudar a criança a lidar com a ansiedade.

Um tipo de terapia da conversa chamada terapia cognitivo-comportamental (TCC) é frequentemente utilizado. No TCC, as crianças experimentar novas maneiras de pensar e agir em situações que podem causar ansiedade, e para gerir e lidar com o estresse. O terapeuta oferece apoio e orientação e ensina novas habilidades de enfrentamento, como técnicas de relaxamento ou exercícios respiratórios. Às vezes, mas nem sempre, a medicação é usado como parte do tratamento para a ansiedade.


Ajudando seu filho a lidar


A melhor maneira de ajudar o seu filho é reconhecer o problema, sem julgamento de apoio. Falar abertamente sobre os sintomas do seu filho e realmente tentar entender como eles estão afetando a vida cotidiana. Ela também pode ajudar a falar com outros adultos que participam da vida de seu filho, como professores e treinadores. 

Seja paciente e positivo como o seu filho Às vezes ajudar a falar com ele sobre suas próprias preocupações e como você foi capaz de superá-los pode auxiliar. Tenha certeza de que com o cuidado certo, seu filho pode superar a ansiedade e aprender a encarar o futuro. 

Reviewed by: Michelle New, PhD Avaliado por: Michelle Nova, PhD
Fonte: Kids Health  

Educação de crianças e adolescentes: Como estabelecer limites

Cotidianamente ouvimos falar em dificuldades de agentes socializadores como pais e professores em gerenciarem limites em relação a crianças e adolescentes. Pais assoberbados pelas tarefas profissionais ou mesmo domésticas, tendem a passar menos tempo com os seus filhos e, frequentemente, delegam a responsabilidade de sua educação a terceiros, como a própria escola. Outros, tem tempo para seus filhos, porém, não sabem como gerenciar as dificuldades no estabelecimento de limites. 

Tanto os pais quanto os professores têm dificuldades em entender tanto o comportamento de suas crianças como o seu próprio comportamento. Alguns, movidos pela 'culpa' em função do pouco tempo dispendido aos filhos, acabam por fazer concessões que podem desfavorecer o aprendizado de regras culturais e morais importantes. Há ainda, quem aja sob influência de orientações oferecidas em tempos passados, em que a educação caracterizada por limites muito severos era criticada, entendendo que dizer que 'não' aos filhos pode ser 'prejudicial'. A excessiva severidade, de fato, é desaconselhada, mas o 'laissez-faire' é igualmente prejudicial. 

Ausência de regras e limites na educação de crianças pode trazer sérios problemas ao relacionamento pais e filhos, além de produzir adolescentes e adultos com falhas em seu desenvolvimento pessoal e social, entre eles, a ausência de resistência à frustração e a infelicidade pessoal; o favorecimento do envolvimento com drogas e outros comportamentos infratores como a delinquência juvenil ou, até mesmo, o desenvolvimento de 'psicopatias' ou 'sociopatias'.

A análise do comportamento e a psicologia possuem inúmeros estudos que comprovam a eficácia de algumas medidas razoavelmente simples, que os pais desconhecem ou encontram dificuldades adicionais em sua implementação. No entanto, a ausência de compreensão de termos técnicos e a ausência de 'tradução' ou disseminação em linguagem leiga podem dificultar a apropriação deste conhecimento pelos interessados. Tentaremos oferecer algumas orientações básicas a seguir:

Em primeiro lugar, é necessário definir quais limites se deseja estabelecer, ou seja, o que 'pode' e que 'não pode'ser feito, o que vale a pena proibir, quais regras vale a pena estipular ou não. Isso varia de acordo com a época histórica em que vivemos, com a cultura na qual estamos inseridos, com cada família e com a idade da criança ou do adolescente, bem como o seu nível de desenvolvimento. Uma vez estabelecidos quais limites respeitar (horário de dormir, das refeições, dos estudos, das saídas com amigos, gerenciamento da mesada etc.), é necessário explicitá-los antecipadamente por meio de uma conversa, deixando claras quais conseqüências se seguirão ao seu descumprimento. Qualquer limite deve ser o mais claro possível de modo a eliminar qualquer ambigüidade, deve ser breve e conciso de modo a eliminar intermináveis rodeios e justificativas, em outras palavras, deve-se ir direto ao ponto.

É importante agir com firmeza e sem hesitação. Uma criança identifica quando um não pode ser um talvez e, nesse caso, não irá cumprir o estipulado. Pais e professores inseguros em suas decisões geram crianças que testam suas possibilidades, de acordo com seus desejos, que nem sempre são os mais recomendáveis naquela situação .

A palavra 'consistência' é de extrema relevância na aplicação de limites anteriormente estabelecidos. Quando se define que algo não pode ser feito, a regra não deve ser 'furada' de acordo com o 'bom humor' do responsável pela criança e novas regras não devem ser estipuladas baseadas no 'mau humor' de que as aplica. Não se volta atrás em um limite anteriormente estabelecido sob pena de ensinar a criança ou o adolescente que regras servem para ser descumpridas. Alguns pais discordam em relação ao que é ou não permitido e, nesse caso, recomenda-se que conversem e entrem num acordo sobre o que é básico cumprir, evitando confusão ou manipulação por parte da criança.

As crianças não ficam infelizes com a imposição de regras e limites. Pelo contrário, sentem-se mais seguras sabendo o que podem ou não fazer, e podendo prever o que ocorrerá em caso de descumprimento. Pais que não toleram a frustração momentânea de seus filhos ensinam que deve-se obter tudo o que se deseja a qualquer custo e que qualquer sofrimento é intolerável. Um limite não deve ser quebrado porque a criança teve alguma reação negativa. É natural que ela teste os limites e é função do adulto manter o que foi combinado anteriormemte.

Os limites, uma vez colocados, devem ser respeitados. Como fazer isso? Fornecendo as conseqüências previstas para o seu descumprimento e das quais a criança já deverá ter sido informada anteriormente (não brincar por não ter estudado, ir para o quarto se estiver jogando tudo no chão, não ir ao shopping se a nota tiver sido baixa etc.)... Não se deve acenar com uma conseqüência que não se poderá fazer valer e nem estalebelecer limites que não valem a pena ser cumpridos.

É importante dizer que, além de prover consequências restritivas ao descumprimento de limites, conseqüências positivas devem se seguir ao cumprimento dos limites. A criança deve ser incentivada a cumprir acordos com elogios, atenção e afeto contingentes à adequação de seu comportamento no respeito aos limites. Mais e melhor do que punir o inadequado é reforçar o que é adequado.


Muito mais poderia ser dito sobre o assunto, mas vale enfatizar que os pais devem ser um modelo de comportamento para os filhos. Nesse caso, não vale o 'faça o que eu digo mas não faça o que eu faço'. Pais com dificuldades em seguir regras e limites, que fazem as próprias leis e que desrespeitam normas e acordos em seus relacionamentos pessoais e profissionais ensinam os filhos a fazerem o mesmo.

Algumas das orientações anteriores podem parecer fáceis e até ´óbvias', mas o fato é que adultos em geral tem uma grande dificuldade em implementá-las. Alguns tentam uma vez e não se concedem o direito de errar, desistindo em seguida. Mas o estabelecimento e o cumprimento de limites é uma aprendizagem para pais e filhos que vale a pena se permitir. Em caso de necessidade, vale a orientação de sempre: Procure um profissional especializado para ajudá-lo!

Por: Dra. Maria Ester Rodrigues
Fonte: Escritos Comportamentais

Não consigo conversar com meu filho, o que eu faço?







Criar um filho é provavelmente o trabalho mais gratificante que realizamos em nossa existência, mas também é um dos mais difíceis.
Vivemos em um mundo cada vez mais complexo que nos desafia todos os dias com uma gama de questões que podem ser difíceis para a criança compreender e para o adulto explicar.


Manter linha de comunicação aberta entre pais e filhos é extremamente importante para um bom relacionamento. Queremos que nossos filhos compartilhem seus pensamentos e sentimentos, a fim de compreender e ajudar em momentos difíceis.

As crianças não nascem sabendo como expressar seus pensamentos e sentimentos de forma apropriada, também não são automaticamente preparadas para ouvir o que os pais lhe dizem e como seguir suas orientações, e sim, devem ser ensinadas a falar e ouvir os outros.

Não importa a idade que seu filho tenha, o quanto antes iniciar uma boa comunicação, facilitará no decorrer do desenvolvimento da criança.

Para fazer com que essa comunicação flua, segue algumas sugestões:

Criar um ambiente aberto: Um lugar em que o adulto expõe suas idéias e valores de forma clara, assim como ouvir e respeitar a criança em suas opiniões.
Aceitar a criança como ela é: Quando uma criança se sente aceita pelos pais, esta se sente confiante e segura para compartilhar seus sentimentos e problemas.
Ouvir a criança: Manter uma escuta ativa e interessada faz com que a criança sinta-se importante e estimulada a falar mais.
Lembrete: Não finja que você está ouvindo quando você não está. Se você está ocupado, pergunte para seu filho se o problema pode esperar pois neste momento você não conseguirá dar atenção sufuciente para ele.


Contato visual: Tentar falar com uma pessoa que diz estar escutando é desencorajador para qualquer adulto, assim como para as crianças. O contato olho no olho é eficiente e indica para a criança que aquele momento sua atenção está voltada para ela.

Paciência e a Honestidade: Em um diálogo, é de extrema importância, a paciência e a honestidade mesmo que alguns assuntos sejam difíceis. Examinar o assunto e a faixa etária da criança é coerente.
Lembrete: Muitas vezes os pais precisam melhorar suas habilidades de comunicação então um exercício valioso é explicar de várias formas, usar palavras diferentes e falar quantas fezes for necessário, em momentos diferentes. Às vezes tentar outras formas de comunicação com base na nossa experiência e na compreensão de como é nossa criança pode dar certo!


Deixe a criança falar: Ao conversar com uma criança, diversas vezes interrompemo-as e damos opiniões ou mostramos logo nossas intransigências a respeito de determinado assunto, culpamos ou damos conselhos provocando o silêncio da criança e consequentemente uma omissão sobre determinado assunto fazendo com que a criança perca o interesse em compartilhar seus assuntos e sentimentos.
Palavrinhas essenciais: Quando conversamos com a criança, há algumas palavras que facilitam e estimulam a criança como:“Hummmm!”, “Oh!”, “Sei”.
Assim a criança sente-se confiante para continuar a falar, consegue elaborar melhor seu pensamento e há possibilidade de encontrar suas próprias soluções.

Validar o sentimento: Aceitar o sentimento da criança nomeando-o corretamente conforta-a deixando-a tranqüila com tudo o que está sentindo.
Diga a criança o que fazer e não o que NÃO FAZER: Quando pedimos algo para a criança, logo colocamos esta palavra “NÃO” como negássemos a possibilidade de tal comportamento ocorrer.
Para melhor explicar:
Não fale - Não bata a porta!
Fale - Feche a porta devagar, por favor

“Parabéns”, “Obrigado”, “Por Favor”: As crianças também precisam de gentilezas comuns que nós utilizamos com as outras pessoas. Elas também aprendem imitando a fala e o comportamento dos adultos.
Não usar palavras rudes, que rotulam a criança: Palavras grosseiras são péssimas para uma boa comunicação, além de fazer a criança sentir-se incomodada, triste e provocando um pobre auto conceito. Há várias formas de cometer este erro:
Ridicular: “Você está agindo como um bebê”
Vergonha: “Olha o que você está fazendo, seus amigos estão todos olhando”
Insultos: “Você é um vacilão”
Se a criança fez algo que não agradou, diga-lhe que não gostou de tal comportamento, nomeando-o corretamente.


Incentivar: As palavras amáveis dão resultados positivos e reforçam a auto confiança, ajuda a pensar melhor nos comportamentos e suas conseqüências e dá ânimo para se esforçar mais e para conseguir mais.
Exemplo:
“Obrigado por me ajudar.”
“Você fez um bom trabalho ao arrumar a cama.”
“Estou feliz com você.”
“Eu te amo.”
“Gostei de ver que você chegou da escola, colocou a mochila no lugar e a lancheira na cozinha.”

A boa comunicação ajuda as crianças a desenvolver a confiança, sentimentos bons, auto estima e torna a vida mais agradável com eles ajuda-os a crescer e tornarem adultos que têm bons sentimentos sobre si mesmos e com os outros.
Lembrete: Mudar uma atitude ou a forma de comunicação que estamos acostumados não é fácil, é como reaprender algo já aprendido mas é importante realizarmos este esforço pois isso será construtivo e reforçados para a relação de vocês.Pense Nisso!


Por:Simone Barbosa Pasquini

Pesquisa revela que atividade física melhora a performance acadêmica em crianças

Uma recente revisão de estudos anteriores sugeriu que existe uma relação positiva entre a prática da atividade física e a melhoria do desempenho acadêmico em crianças, a pesquisa foi publicada no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.

Um grupo de pesquisadores holandeses da Vrije Universiteit University Medical Center revisaram estudos que incluíram amostras de 12 mil crianças entre as idades de 6 a 18 anos e concluíram que " de acordo com as evidências , encontramos fortes evidências de uma relação entre atividade física e performance acadêmica. A descoberta mostra que ser fisicamente ativo está relacionado com a melhoria do desempenho acadêmico".

Os autores sugerem que o exercício ajuda a cognição aumentando o aporte de sangue e oxigênio ao cérebro, o que eleva os níveis de norepinefrina e endorfinas e reduz o estresse, melhorando o humor. Além disso, aumenta os fatores de crescimento que ajudam a desenvolver células nervosas e dão suporte à plasticidade das sinapses, as conexões entre elas.

Sendo que uma das razões para a realização da pesquisa foi a pressão exercida sobre os estudantes para a melhoria no desempenho das avaliações, o que pode deixar menos tempo livre para prática de atividade física e esportes.

"Relativamente poucos estudos com alta qualidade metodológica haviam explorado essa associação", dizem os autores. "É preciso fazer mais estudos com alta qualidade sobre a associação e sobre os mecanismos subjacentes, usando medidas válidas para avaliar com precisão", concluem.

Fonte: Estadão


Autistas chegam ao mercado de trabalho


Como o maior conhecimento sobre o transtorno, terapias adequadas e diagnóstico precoce têm permitido às pessoas com autismo trabalhar

CONQUISTA
Fernanda Raquel desenvolveu a habilidade de desenhar para se comunicar.
Hoje trabalha como ilustradora
Um cenário impensável no passado. Na empresa dinamarquesa de testagem de softwares Specialisterne, 80 dos 100 funcionários têm autismo. Uma das pioneiras na contratação de mão de obra autista, ela é um exemplo do grande avanço ocorrido nos últimos anos no universo das pessoas que convivem com esse transtorno. Com a melhor compreensão sobre a síndrome, os autistas têm deixado a clausura do espaço privado e ganhado o espaço público. “O autismo é um conjunto muito heterogêneo de condições que têm como ponto de contato os prejuízos nas áreas da comunicação, comportamento e interação social”, explica o neurologista Salomão Schwartzman. Se durante muito tempo se falou apenas dessas dificuldades, atualmente começam a ser discutidas as habilidades associadas e como isso pode ser aproveitado em diferentes profissões. Tanto que já há uma primeira geração a chegar ao mercado de trabalho. “Eles têm boa memória, uma mente muito bem estruturada, paixão por detalhes, bom faro para encontrar erros e perseverança para realizar atividades repetitivas”, disse à ISTOÉ o fundador da Specialisterne, Thorkil Sonne.

Sonne resolveu investir no filão após o nascimento do filho autista Lars, hoje com 14 anos. A aposta deu tão certo que a empresa abriu unidades na Islândia, Escócia e Suíça e tem servido de inspiração para outras iniciativas. O empresário calcula entre 15 e 20 os projetos inspirados na matriz dinamarquesa em todo o mundo. Um deles é a Aspiritech, nos Estados Unidos, que, desde o ano passado, funciona com 11 engenheiros autistas trabalhando no teste de softwares. “Desde a década de 80, pesquisas mostram que essas pessoas têm uma capacidade muito maior de perceber pequenos detalhes visuais”, falou à ISTOÉ Marc Lazar, da Aspiritech. “Em testes para medir essa habilidade, eles cumprem o desafio em 60% do tempo gasto pelos demais e com grande acurácia.”

Para se chegar à observação dessas qualidades foi preciso superar um erro de interpretação. “Por muito tempo, o autismo foi encarado como uma deficiência intelectual”, diz Adriana Kuperstein, diretora da Re-fazendo, assessoria educacional especial de Porto Alegre. O que se percebeu posteriormente é que em apenas alguns casos há a associação com deficiências intelectuais. Muitos autistas têm o intelecto preservado, vários com inteligência superior à média, mas não conseguem interagir porque não sabem usar os canais normais de comunicação.

CONFIANÇAO dinamarquês Thorkil Sonne tem uma empresa que explora as habilidades dos autistas
“É como um computador sem os softwares necessários para realizar determinada tarefa”, compara a psicóloga Alessandra Aronovich Vinic, que pesquisa autismo. Em seu consultório, ela aplica o método do treino das habilidades sociais. Seus pacientes aprendem, por exemplo, a reconhecer as feições relacionadas a sentimentos, como tristeza e alegria, ou a fixar o olhar no outro enquanto conversam. Pode parecer prosaico, mas faz toda a diferença para quem tem autismo. “As pessoas se comunicam visualmente o tempo todo”, fala Júlia Balducci de Oliveira, 23 anos. Para a jovem, não conseguir olhar nos olhos era uma fonte de angústia só superada com terapia. Formada em cinema, hoje Júlia trabalha na direção de um documentário sobre o autismo.
Atualmente se sabe que quadros mais discretos também se incluem no chamado espectro autista, com boas possibilidades de tratamento. “Mas há 30 anos somente pacientes muito graves eram diagnosticados”, explica Ricardo Halpern, da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Eles eram internados, sedados e alijados do convívio social.” A delimitação desse grupo maior de pessoas aprimorou os métodos de tratamento. “As intervenções começaram a ser feitas mais precocemente, gerando maior inserção social”, disse à ISTOÉ o brasileiro Carlos Gadia, professor do departamento de neurologia da Universidade de Miami e diretor-médico da ONG Autismo&Realidade. Os principais beneficiados foram os pacientes de quadros mais leves.

Foi o caso da jovem Fernanda Raquel Nascimento, 18 anos. A terapia ajudou a jovem a vencer os obstáculos que encontrava para interagir. Também progressivamente ela transformou em profissão o que era uma de suas formas de comunicação, o desenho. Hoje ela comemora seus primeiros trabalhos de ilustração para a Livraria Saraiva, em São Paulo. “Com o dinheiro, quero cursar faculdade”, diz. A jovem ainda trabalha em casa, mas o objetivo é que passe a dar expediente no escritório. “Ela realiza um trabalho de alta qualidade e com um ótimo atendimento da demanda”, fala Jorge Saraiva, proprietário da rede de livrarias. Depois do contato com Fernanda, a empresa iniciou um plano para a contratação de pessoas com diferentes tipos de transtorno, entre eles, o autismo. Que se torne um cenário comum.
Por Rachel Costa
Fonte: Isto é